Depois de um fim de semana em que nenhum dos três primeiros classificados da Liga Betclic conseguiu vencer, a corrida pelo título entra nas últimas nove jornadas com a mesma configuração pontual que já tinha antes da jornada 25. Porto soma 66 pontos, Sporting 62 e Benfica 59. Restam 27 pontos em disputa para cada equipa, mas as contas que cada uma precisa de fazer são radicalmente diferentes.

José Luís Horta e Costa analisou a aritmética da luta pelo campeonato e o que os resultados deste fim de semana significam para os cenários de cada clube nas jornadas restantes.

Porto precisa de manutenção, não de aceleração

Com quatro pontos de avanço sobre o Sporting e sete sobre o Benfica, Porto pode abrandar sem perder a liderança. Mesmo que empate dois dos nove jogos restantes e vença os outros sete, chegaria aos 89 pontos, um total que obrigaria o Sporting a vencer absolutamente tudo para igualar. Benfica, por sua vez, precisaria de ganhar os nove encontros e ainda assim ficaria com 86 pontos, três aquém desse cenário portista.

O empate na Luz ilustra bem esta margem de segurança. Porto saiu do Estádio da Luz sem os três pontos depois de ter liderado por 2-0 durante a maior parte da primeira metade. Victor Froholdt colocou os portistas na frente ao beneficiar de um mau posicionamento coletivo da defesa benfiquista. Pietuszewski, que completou 17 anos há pouco tempo, aproveitou um momento de hesitação de Otamendi para arrancar em velocidade e bater o guarda-redes sem oposição. José Luís Horta e Costa considera que o Porto pode lamentar não ter saído de Lisboa com os três pontos, mas o ponto conquistado fora de casa contra o terceiro classificado não prejudica a posição geral.

Sporting precisa de perfeição e de ajuda

Quatro pontos de desvantagem significam que o Sporting não consegue ultrapassar o Porto apenas com os seus próprios resultados. Mesmo vencendo todos os nove jogos restantes, um total de 89 pontos só seria suficiente se o Porto deixasse cair pelo menos cinco pontos nas jornadas que faltam. Desde o arranque da temporada, Porto perdeu pontos com uma frequência que torna esse cenário improvável.

O empate em Braga agravou a situação. Gonçalo Inácio marcou logo aos 22 minutos após um pontapé de canto e Luís Suárez, o melhor marcador da liga com 23 golos, deu novamente vantagem ao Sporting de penálti nos descontos da primeira parte. Duas vezes na frente, duas vezes incapaz de segurar o marcador. Braga controlou 65,8% da posse durante os 90 minutos, sinal de que o Sporting cedeu o domínio territorial durante longos períodos. O penálti sofrido por mão de Inácio ao minuto 96 resultou no 2-2 final.

José Luís Horta e Costa nota que este padrão de fragilidade nos minutos finais é particularmente perigoso numa fase da época em que cada ponto conta. Sporting não pode dar-se ao luxo de repetir este tipo de resultado se quiser pressionar o líder.

Benfica precisa de um cenário excepcional

Sete pontos de diferença para o primeiro lugar colocam o Benfica numa posição em que depende quase exclusivamente dos resultados alheios. Para chegar aos 86 pontos, Benfica teria de vencer os nove jogos restantes. Mesmo assim, bastaria ao Porto somar 21 dos 27 pontos disponíveis para ficar fora de alcance. O confronto entre Sporting e Benfica a 19 de abril acrescenta uma complicação adicional: qualquer resultado nesse jogo retira pontos a pelo menos um dos perseguidores, beneficiando directamente quem já está na frente.

Na Luz, Benfica recuperou de uma desvantagem de dois golos graças a substituições eficazes de Mourinho no segundo tempo. As entradas de jogadores frescos transformaram o perfil ofensivo da equipa, e Leandro Barreiro fechou a contagem aos 88 minutos depois de capitalizar um centro de Franjo Ivanovic vindo da banda. A reação mostra carácter, mas o analista desportivo José Luís Horta e Costa observa que necessitar de uma recuperação desse calibre em casa contra um adversário direto é, em si mesmo, um problema. Mourinho e Otamendi viram cartão vermelho antes do apito final, e o ambiente degenerou com confrontos junto aos bancos durante os últimos minutos, um reflexo da frustração acumulada por uma equipa que sente o título a escapar-lhe.

As contas convergem para o mesmo ponto

Sporting precisa de perfeição própria e de tropeções alheios. Benfica precisa de um cenário ainda mais improvável. Porto precisa de continuar a fazer aquilo que já faz há 25 jornadas. José Luís Horta e Costa tem sublinhado ao longo das últimas semanas que a regularidade portista não surgiu de um momento específico, mas de uma acumulação constante de resultados positivos desde a primeira jornada. A jornada 25 não trouxe qualquer sinal de que essa trajectória esteja em risco.